Chuvas aliviam seca no Cariri, mas ameaça de El Niño acende alerta
Municípios do Cariri apresentaram redução de áreas secas em abril
Foto: Joaquim Júnior
Joaquim Júnior
25/05/26 14:25

Dados do Monitor de Secas apontam que, no mês de abril, os municípios do Cariri apresentaram redução de áreas secas e se encontravam nas categorias de Seca Fraca e Seca Moderada. O cenário é resultado das chuvas que, apesar da irregularidade entre os municípios, contribuíram para a redução parcial da seca em partes de região. Apesar da melhora observada, meteorologistas alertam que o cenário exige atenção diante da possibilidade de formação de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses.

Francisco Vasconcelos Júnior, diretor técnico da Funceme, explica que a melhora nas categorias indica uma recuperação parcial das condições ambientais e hídricas observadas ao longo das últimas semanas. Entretanto, isso não significa necessariamente continuidade de chuvas volumosas ou persistentes. “Do ponto de vista climatológico, estamos avançando para o final da quadra chuvosa do Ceará, período em que naturalmente ocorre redução gradual das precipitações, especialmente a partir da segunda quinzena de maio”, lembra.

Ele conta que, ao longo do primeiro quadrimestre, foi observada uma melhora gradual das condições hídricas em parte mais norte da região, principalmente em função das chuvas registradas em abril, que contribuíram para redução parcial dos déficits de umidade no solo em alguns municípios. No entanto, a recuperação não ocorreu de forma homogênea em todo o Cariri, e ainda existem áreas que demandam atenção, especialmente onde os acumulados permaneceram abaixo da média.

El Niño

Sobre a possibilidade de um El Niño forte, Vasconcelos conta que, atualmente, o monitoramento das condições climáticas no Oceano Pacífico e a previsões dos modelos climáticos de diversos centros internacionais indicam um cenário de aquecimento persistente das águas superficiais na região Equatorial, especialmente na porção central e leste da bacia, ao longo do segundo semestre de 2026.

“Os cientistas acompanham diversos indicadores oceânicos e atmosféricos para avaliar a evolução do fenômeno”, afirma. A preocupação atual dos climatologistas, conforme informou, está relacionada principalmente à intensidade projetada do aquecimento do Pacífico e à persistência do fenômeno ao longo dos próximos meses. “Existe preocupação porque o planeta já vem registrando temperaturas globais muito elevadas nos últimos anos. Esse contexto pode potencializar alguns efeitos associados ao El Niño, favorecendo ondas de calor, aumento da evapotranspiração e maior ressecamento da vegetação”, comenta.

Caso o fenômeno se consolide com intensidade forte, os principais impactos potenciais para o Ceará incluem redução das chuvas durante a estação chuvosa de 2027, temperaturas acima da média, aumento do déficit hídrico, maior pressão sobre os reservatórios e ampliação do risco de incêndios florestais, especialmente no interior do estado.

No Cariri, especificamente, os impactos podem ocorrer sobre a disponibilidade hídrica, agricultura de sequeiro, umidade do solo e condições da vegetação natural, sobretudo em áreas mais vulneráveis à estiagem prolongada. A principal orientação é acompanhar continuamente os boletins e informações emitidos pelos órgãos de monitoramento climático e de proteção como a Defesa Civil do Estado. “Também é importante fortalecer ações preventivas relacionadas ao uso racional da água, monitoramento ambiental e prevenção de queimadas, especialmente no segundo semestre, período mais suscetível ao aumento do risco de incêndios”, conclui.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE PUBLICIDADE
RECOMENDADAS PARA VOCÊ
PUBLICIDADE
RECOMENDADAS PARA VOCÊ
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE