Cariri preserva fósseis raros e enfrenta contrabando histórico
Material ajuda a formar novas gerações de cientistas
Foto: Helene Santos - Casa Civil
Robson Roque
10/03/26 0:00

Reconhecida mundialmente pela riqueza de seus fósseis, a região do Cariri abriga um dos mais importantes patrimônios paleontológicos do mundo. A Bacia do Araripe reúne espécies únicas, muitas delas preservadas com nível de detalhe raro, o que torna o território alvo frequente do contrabando internacional.

Segundo o diretor do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, Allysson Pontes Pinheiro, o comércio ilegal é um problema histórico, que durante décadas ocorreu até de forma aberta, em grande parte por desconhecimento da legislação. “Agora, a percepção é outra. Não há o comércio aberto porque as pessoas entendem que é crime e, mais do que isso, entendem que é um prejuízo para o território”, afirma.

Apesar da redução, a prática ainda existe. O pesquisador explica que o contrabando, muitas vezes, se aproveita da vulnerabilidade socioeconômica de moradores que encontram nos fósseis uma possibilidade de renda. “É muito difícil acabar por completo com o comércio de fósseis, porque sempre tendo quem queira comprar, vai achar alguém disposto a vender”, analisa.

Ações de fiscalização e educação têm contribuído para reduzir a prática. Órgãos como Polícia Federal, Polícia Ambiental e Ministério Público atuam no combate ao crime, como demonstrou a recente operação Raptor Legacy, que apreendeu fósseis e identificou suspeitos de venda ilegal na região.

Além disso, muitos fósseis ainda permanecem guardados em residências. “Recebemos com frequência doações de pessoas que tinham fósseis de parentes guardados em casa. O melhor lugar para esse material é o museu”, explica. Ele ressalta que a entrega voluntária não gera penalização e contribui para a preservação científica.

Nos últimos anos, outro movimento importante tem ocorrido: a repatriação de fósseis levados ilegalmente ao exterior. Um exemplo recente é o retorno ao Brasil de cerca de 150 quilos de peças da Bacia do Araripe que estavam na Suíça. Para Allysson Pontes, as devoluções representam o “o reconhecimento dos vários locais do mundo, de que esses patrimônios nos pertencem,  que o lugar certo deles é aqui” e fortalecem a pesquisa, a educação e o turismo científico no Cariri.

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