Transnordestina é aposta para reduzir custos e ampliar mercado agrícola
Dependência do transporte rodoviário impacta no valor da produção
Foto: Divulgação/TSLA
Joaquim Júnior
24/02/26 0:00

O avanço na implantação da Ferrovia Transnordestina surge como eixo estratégico para a economia do Cariri. A região, que conta associações produtivas que unem esforços para fortalecimento local, encontra entraves como altos custos de produção e de logística para escoamento da produção. Para se ter uma ideia, a atual dependência do transporte rodoviário impacta em custos que chegam a até 15% do valor da produção. De acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), a Transnordestina tem extensão total de 1.206 quilômetros, e registra 80% de avanço físico. Atualmente está liberado um trecho de aproximadamente 679 quilômetros, entre os municípios de São Miguel do Fidalgo (PI) e Acopiara (CE), passando por Salgueiro (PE).

“O custo de 15% é muito significativo para uma produção como a nossa que já passa por muitos desafios como clima, pragas, doenças, que já está muito exposto à adversidades”, relata Francieli Silva, diretora executiva da Associação dos Produtores de Algodão do Estado do Ceará (Apaece). Conforme apresentou, números oficiais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que o Cariri produziu 600 hectares de algodão no ano de 2025; em todo o estado, foram mais de 2 mil hectares. A expectativa é que, até 2030, sejam produzidos em torno de 250 arrobas/hectare em todos os setores.

Atualmente, o algodão produzido no Cariri não é comercializado somente no Ceará, mas também em outros estados, como a Paraíba. Com a limitação que veículos como caminhões possuem, a Transnordestina desponta como uma alternativa que poderá mudar o cenário da economia local. “O algodão não pesa muito, mas o volume dele é expressivo. Então eu preciso fazer várias viagens para escoar essa produção”, comenta Francieli, ao dizer que, com a ferrovia, o produtor vai economizar com o frete e transportar o produto com mais facilidade, já que o trem poderá levar a produção de uma só vez.

Como avalia a diretora, além de facilitar o escoamento e a viabilização logística da entrega do produto dentro do estado e fora dele, a Transnordestina possibilitará chegar aos mercados do exterior, já que a região ficará mais próxima ao Porto do Pecém. Desta forma, os produtores de diferentes culturas poderão chegar a novos mercados, algo que pode também incentivar o cooperativismo, já que será necessária a união para uma maior formalização que tende a colaborar para o fortalecimento econômico e até mesmo a união com estados vizinhos para agregar valor à produção.

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